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terça-feira, 16 de abril de 2013

Rosana Parte II


Antes de tudo você precisa ler o início de tudo:



Uma das crianças que estava observando não quer esperar para ver o que acontece e corre de volta para a cidade. Segue em prantos direto para o padre e conta tudo o que estava acontecendo, dali segue pro pequeno bar, para a farmácia e vai correndo a cidade espalhando a notícia. Não demora muito a se juntar uma pequena multidão que marcha triunfante em direção à casa da bruxa.



Os homens mais novos e mais fortes vão na frente, cheios de hombridade e coragem. Mas ao chegarem perto da tosca cabana começam a ouvir estranhos barulhos. São gritos de desespero e de dor. São gritos animalescos e guturais de puro ódio. São risadas macabras e demoníacas. São barulhos de multidões sofrendo com se tivessem aberto os portões do inferno.

Tão rápido foi a multidão, tão rápido se desorganizou. Ninguém queria ir averiguar o que estava acontecendo. Começa uma discussão para ver quem seria o batedor e iria na frente. Os ânimos de exaltam e já estava começando a gritaria.

Um choro de criança ecoa da sombras das árvores, barulhos de ganhos quebrando, uma movimentação na penumbra. Uns 3 marmanjos fugiram de medo.

Sai uma garotinha, que estava no grupo de crianças a observar o que acontecia na janela. Ela estava pálida, sua boca roxa e o olhar catatônico. Seus olhos e ouvidos sangravam. Passado o primeiro susto as pessoas correm para socorrer a pobre garota.Tentam reanima-la sem sucesso. ela estava em um estado vegetativo e apenas balbuciava "ele tem fome... ele tem fome..."

Subitamente, silencio. Não há mais gritos, não há mais risadas, não há mais choro. A crescente apreensão que tomou o ambiente era quase palpável. todos olhavam para todos os lados, atentos à qualquer coisa.

A porta da casa se abre lentamente. Aquele típico rangido de porta velha abrindo preenche o ar. Uma coisa é jogada no meio da multidão que entra em panico quando descobrem que se trata da cabeça maltratada de Abgail.



Gritaria.

Rosana está parada à porta. Estava um pouco curvada com a camisola simples tingida de vermelho. Suas mãos e seu rosto igualmente cobertos de sangue. Ela segurava uma das crianças, agora uma massa disforme de carne e ossos, pelo pé. Ela sorria. Ninguém ousava nem respirar. O silêncio era angustiante.

Em sua mente Sallos cantava, ele estava logo atrás de Rosana que não conseguia resistir. Ela tinha que dançar.

Ela grita com uma voz que não era dela. Soava demoníaca: "TENHO FOME!" e avança direto para a multidão e o caos reina em meio ao pequeno destacamento de corajosos e, principalmente, curiosos. Ela arranha, morde, bate com toda a sua fúria sem ver à quem. As pessoas tentam correr e se defender e no meio da confusão muitas pessoas são pisoteadas.

A outrora frágil Rosana parece agora ter a força de 10 homens. Ninguém consegue detê-la, até em um momento ela pega uma criança que chora desesperada. Aquele som perece ter tirado Rosana daquele estado bestial e ela vacila por um momento.

Foi tempo suficiente para ter seu peito trespassado por uma lâmina. Os olhos de Rosana se tornam vermelhos como em brasa e a razão a abandona novamente.

Ela se vira para ver quem foi seu agressor. Era o filho do prefeito. O garoto mais popular e sádico entre os jovens. Era o que mais maltratava e o que pregava as piores e mais dolorosas/vexatórias peças nos mais fracos e esquisitões.

A visão daquele rosto foi como uma inveção de ódio em Rosana que num golpe rápido e certeiro agarrou a traqueia do garoto e sem dificuldades a torceu num sonoro estalo. A multidão vê o jovem rapaz se contorcendo, tentando se agarrar ao que lhe restava de vida. Sem sucesso. Seu pai gritava e tentava reanimar o cadáver em seus braços.

Quando se dão conta, Rosana havia fugido e todos seguiram seu rastro. Ferida e cansada ela segue para o único lugar que faria sentido em sua mente. Seu lugar secreto, seu esconderijo seguro. O roseiral.

Rosana se esconde nas sombras entre a densa mata, entulho e galhos, Sallos está do seu lado, ele faz um carinho no cabelo da garota assustada.



- O que aconteceu comigo? disse Rosana chorando. Eu não sou um monstro! Eu não fiz aquilo!!

Pranto.

Sallos olha diretamente em seus olhos e diz: 

- Sim, minha cara. Você não é um monstro, mas pertence à um!

E começa a rola no chão rindo.

- Você não entendeu? Pode até ter voltado à razão mas você... é... minha... 

Rosana estava cansada e ferida. Sem forças até para falar. Ela simplesmente deitou a cabeça no colo de seu único "amigo" e desistiu. Ele entendeu.

Sallos acariciando os cabelos sujos de Rosana começou a recitar algumas frases bem baixinho. Algo que Rosana não entendia, mas para ela soava como uma cantiga de ninar. Aos poucos ela foi perdendo a consciência e tranquilamente ela se entregou à inconsciência. Ela só queria descansar.

Sallos viu quando o último traço de racionalidade de Rosana se extinguiu e baixinho disse ao beijar sua testa. 

- Agora seu corpo é meu. E minha fome é sua. Levante minha pequena besta e vamos comer!

Se alguém visse Rosana naquele momento iria congelar de medo. Ela ficava de quarto com a coluna estranhamente torta. Seus membros pareciam desproporcionais à seu tamanho. Seus olhos eram de um vermelho vivo e seus dentes e unhas pareciam de um grande felino. Alguma coisa chama atenção de Rosana.



A multidão chega ao Roseiral com grande alvoroço, muitas pessoas falando, muitas tochas e lampiões. Aos poucos as pessoas foram se espalhando. Grande erro.

Na escuridão da noite gritos desesperados diziam que Rosana estava atacando os mais desatentos. Houve um breve início de confusão de novo mas o prefeito, movido à vingança pela morte prematura e cruel de seu filho, conseguiu reorganizar os poucos que sobraram.

"Se essa criatura é uma encarnação do inferno. Que ela queime como tal!"

E começou a incendiar as rosas e o matagal. Os outros homens fizeram o mesmo cercando Rosana num grande anel de fogo.

Iluminada pela luz do fogo eles viram ela montada em cima do cadáver de um jovem rapaz, lambendo avidamente sua mão suja de sangue. Ela não tentou fugir, simplesmente ficou ali encarando as pessoas enquanto o fogo chegava perigosamente mais perto.



O fogo rapidamente saiu do controle e se tornou um gigantesco incêndio. Não sobrou nada, apenas cinzas e os corpos queimados das vítimas de Rosana. Já seu corpo jamais foi encontrado.

Hoje a cidade cresceu, cheia de automóveis, engarrafamentos, pessoas e arranha-céus. A história de Rosana se tornou folclore local, uma história que as mães contam para seus filhos se comportarem. Mas alguns poucos, principalmente os mais antigos, sabem que a cada ano algumas garotas e garotos de 15 anos desaparecem misteriosamente e em todos os casos está, como uma assinatura macabra, uma rosa vermelha.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

O motel

[Mais uma baseada num capítulo do seriado 13 medos - As imagens são do capítulo =) ]



Letícia vinha dirigindo a muitas horas, por uma rodovia que  é conhecida por ser interminavelmente grande e tediosamente reta. Já era madrugada e o cansaço começada a dar seus primeiro sinais. Ela foi informada no último posto em que abasteceu que seguindo em frente haveria um pequeno motel. Modesto mas aconchegante, disse o frentista.


Contentrada tentando localizar o motel, Letícia passou por uma mulher na beira da estrada acenando, provavelmente pedindo carona, mas o cansaço era maior e Letícia passou direto. O motel deve estar perto, pensava para se animar.

Um som baixinho veio do banco de trás, quando Letícia olhou no retrovisor havia uma mulher com um grotesco corte já necrosado em seu pescoço. A mulher então agarra Letícia gritando por socorro.

Um carro vindo na contra mão bozina e acorda Letícia, que agora estava bem preocupada. Ela tem o costume de viajar muito mas nunca dormiu no volante. 







Luzes afrente.

Piscava na escuridão: M O T E

Aliviada Letícia estaciona e segue direto para a recepção, que estava vazia. Ela bate algumas vezes na campainha até que surge um sujeito gordo, malcheiroso e com uma cara de péssimo humor.

Combinado os preços o homem pergunta se Letícia tem alguma preferencia de quarto. Já que ela era, até o momento, a única hóspede daquela noite. Ele fala de forma insinuante que sugeriria o quarto número 1 que era o mais proximo da recepção e abre um sorriso grotesco. Letícia com evidente asco escolho o mais distante, o quarto 13.


Chegando ao quarto, direto para a cama. Mal fecha os olhos, um barulho começa a incomodar. Era como um choro bem baixinho, um gemido, vindo do quarto ao lado.

Já irritada, Letícia bate na parede pedindo silêncio. O som para, porém, logo após surge outro. Dessa vez o som vinha de fora do quarto, ela olha pela janela e vê aquela mulher que estava na estrada sentada num balanço abandonado e bem enferrujado, encarando a janela do quarto 13. Elas trocam olhares e a mulher sai. Tem algo errado com essa moça, pensa novamente Letícia. O som recomeça mais alto no quarto ao lado. 

Os gemidos e o choro ficaram mais altos e mais desesperados. Letícia assustada corre até a recepção e bate repetidas vezes a campainha até o homem surgir novamente. Seu humor havia piorado.

Ela conta dos barulhos no vizinho e o homem disse que era impossível já que ela era a única hóspede. Letícia insiste e diz que vai ligar para a polícia. O homem tentando manter a calma respira fundo e pega a chave #12.

como era esperado o quarto estava completamente em silencio e vazio. O homem olha contrariado para Letícia e pergunta se pode finalmente voltar a dormir e sai resmungando.

Letícia volta constrangida. Ao fechar a porta o som recomeça. Ela encosta o ouvido na parede para tentar identificar o que era aquilo quando uma forma humanóide se projeta da parede.

Era como se alguem estivesse atrás de um pano e estivesse tentando rompê-lo. Essa forma gritou NÃO DEIXE QUE ELE TE VEJA!!


Com o susto Letícia tropeçou e caiu, batendo a cabeça na quina da cama.

Tontura. dor. sangue.

Ela cortou a cabeça, e se levantou devagar porém outro susto veio. Alguém tentava abrir a porta do quarto. Ela corre pelo quarto procurando um lugar para se esconder. Acaba trancada no banheiro.

Olhando pela fechadura viu a mulher que pedia carona entrar com um homem encapuzado. Eles conversam algo e o homem tenta assediar a mulher, que nega educadamente.

O homem se exalta e tenta agarrar a mulher à força. Ela luta e rasga a manga da blusa mostrando uma enorme cobra tatuada no braço esquedo do homem. Consegue se soltar e corre para o banheiro, mas o homem a puxa pelos cabelos e num golpe preciso corta sua garganta. A mulher agoniza no chão olhando diretamente nos olhos de Letícia.

Quando quedou inerte no chão o homem calmamente pegou uma marreta e abriu um buraco na parede e acomodou o corpo da mulher. Letícia que observava a tudo em pânico deixou escapar um gemido.

O homem ouviu.

Letícia tentou trancar a porta mas descobriu que o trinco estava quebrado, o homem veio furioso tentando abri enquanto Letícia tentava mantê-la fechada com as costas na parede e empurrando com as pernas. Mas o homem era mais forte e conseguiu esgueirar um braço e botar o pé para impedir a porta de fechar.

Tateando ele alcançou a perna de Letícia e puxou com força. A porta abre.


Tontura. dor. Sangue.

Ela cortou a cabeça, e se levantou devagar. Demorou alguns segundos para ela se recuperar do desmaio. Assim que se sentiu com os pés firmes correu para a recepção de novo. Gritou pelo homem que se assustou com a mulher invadindo sua sala e pegando um martelo numa caixa de ferramentas jogada ali no canto.

Ele foi seguindo aquela maluca perguntando o que estava acontecendo. A mulher gritava que sabia onde "ela" estava que era para ele chamar a policia.

Letícia voltou ao quarto e foi direto para a parede. Sem exitar começou a golpear com toda a força. O homem gritava nervoso que ela ia pagar o conserto, que ela tinha enlouquecido.

Batidas, batidas, batidas.

Um grande buraco já se formara na parede e um braço apodrecido se estende. Letícia olha assustada para o homem mostrando o achado.

Ele sorri e arregaça as mangas. Uma grande cobra surge tatuada em seu braço esquerdo. rapidamente ele saca uma faca e ataca Leticia que no susto desviou no último segundo, ainda levando um corte severo no rosto.

Ela ficou no chão sem reação, o homem se aproxima tranquilamente e num golpe certeiro corta sua garganta. 

Seu humor parecia ter melhorado.






Amanda odeia dirigir à noite, mas parece que não existe lugar para passar a noite naquela maldita rodovia. Ainda bem que o frentista do posto disse que havia um motelzinho ali perto. Na falta vai esse mesmo.

Enquanto tentava achar esse tal motel, ela passou por uma mulher na beira da estrada gesticulando. Esses hippies tem muita coragem de ficar pedindo carona no meio dessa escuridão, eu que não paro.

Um barulhinho no banco de trás. Quando Amanda olha pelo retrovisor quase perde o controle do carro. Uma mulher com um grande corte no pescoço e no rosto a agarra gritando por ajuda.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Duas almas

[Escrevi esse texto baseado no primeiro capítulo de uma série chamada 13 medos (disponível no NETFLIX, beeem ruizinha ahahah) e também aproveitando o dia da mentira]

Hoje é um dia especial.

Pedro e Carol completam hoje sua segunda década de casamento. Estão todos ansiosos, Pedro preparou uma noite especial para sua amada mulher. A muito tempo eles não tem uma noite tranquila, sem os seus filhos para atrapalhar, Miguel de 17 anos e Ana de 8.

Tudo estava combinado, Miguel já era um rapazinho e iria tomar conta da casa e de sua irmãzinha. 

Carol está com um mau pressentimento, coisa de mãe. Ela quer avisar aos vizinhos que vão sair mas Pedro a acalma. Eles moram em um condomínio seguro e tranquilo, e como eles são novos na vizinhança não conhecem os vizinhos. Ela acata e se acalma.

No caminho o casal conversa animado. Pedro fazia suspense sobre o que tinha planejado para essa noite especial. Carol desiste de tentar descobrir a surpresa quando começa a tocar a música deles no rádio. Ela fica toda animada e acaricia o marido com amor. Eles estão felizes.

Carol começa a retocar a maquiagem e Pedro começa a observá-la. Como é linda, como a ama mesmo depois de tantos anos de casados. Ele fica encantado, sua mulher parece que emite uma luz própria.

Uma luz forte envolve o casal. Faróis vem em direção contrária e o consequente choque. Carol é arremessada pelo para-brisa seu corpo pousa ensanguentado no capô retorcido da pickup afrente. Pedro foi protegido pelo cinto de segurança, mas a colisão foi forte e fica dificil se manter consciente. 

Antes de apagar, Pedro observa o outro motorista. Um homem branco, de cabelos pretos e uma grande cicatriz cruzando o lado esquerdo do rosto. Aos poucos a vida deste indivíduo se esvai, e Pedro se entrega à inconsciência.

O casal está feliz conversando animadamente no carro. Pedro observa sua mulher, como ela é bela, como a ama mesmo depois de tantos de casamento. Carol para de se maquiar e diz "olhe para a estrada" Pedro parece hipnotizado e Carol grita diversas vezes "olhe para a estrada" e começa a chorar sangue.

Pedro preocupado limpa a face de sua amada, incrédulo. Olha para os seus dedos... sangue??? Quando ele vai perguntar para Carol ela está completamente ensanguentada e deformada. "OLHE PARA A ESTRADA".

Susto. Desorientação. Escuro. Onde estou? Parece um hospital...

Pedro, apesar de sobreviver, estava muito ferido. A colisão frontal foi em alta velocidade.

O médico faz algumas perguntas de rotina para garantir que não havia sequelas cerebrais ao paciente, visto que estava em boas condições chamou um estranho. Era um agente da policia que veio pegar esclarecimentos. Pedro não gostou muito, não queria conversar mas não teve muita escolha.

- O senhor se lembra do que aconteceu?
- Eu estava com a minha mulher no carro, tocou nossa música no rádio e não me lembro de mais nada.
- O senhor trafegou pela contra-mão, e na curva colidiu de frente com uma pickup que vinha no sentido contrário
- E minha mulher!!! ONDE ELA ESTA???
- ....

Pedro chora, se sentia culpado. Por que ela e não ele??

O policial continua:

- O senhor por acaso conhecia o homem do outro carro?
- Não! Como poderia conhecer??
- Ele era procurado pela polícia de 8 Estados...
- Eu... não me sinto bem...
- Entendo, me desculpe...

Assim que o policial fecha a porta Pedro cai no sono. Não se sabe por quanto tempo ele dormiu, quando acordou tarde da noite o quarto estava escuro e ele morria de sede. Tateou pela mesinha ao lado da cama tentando encontrar um copo quando ouve "procurando por isso?"

No canto do quarto um homem estava sentado, segurando o copo de forma delicada. Ele era muito elegante, vestido num justo terno preto, sua fisionomia não era muito visível pois as sombras cobriam seu rosto, mas dava para notar que sua tez era pálida.

O estranho se levantou e serviu Pedro que bebeu devagar e desconfiado tentando reconhecer aquele indivíduo.

- Pedro, Pedro... Você fodeu tudo não é mesmo?
- Como? Quem.... é você?
- Sua mulher está morta e por culpa de quem? (dá um tapinha no ombro machucado de Pedro)
- Saia daqui seu desgraçado, ou eu vou chamar a enfermeira!!

Pedro começa a apertar o botão para chamar a enfermeira ou alguém mas nada acontece. O homem ri, arranca da mão de Pedro o botão e o começa a apertar também e faz uma cara de deboche dando de ombros.

- Você amava sua mulher, Pedro?
- Mas é claro!! Eu faria tudo para salvá-la...
- BINGO!! Resposta certa!! E se eu te dissesse que há uma forma de salvá-la?
- Você é louco ou sádico?? Ela está morta! É claro que não....


Alguém toca a mão de Pedro. Quando ele olha não acredita em seus olhos. Era Carol sorrindo pra ele, linda e radiante! Pedro tenta perguntar algo ao estranho indivíduo, mas ele tinha sumido. Um aperto em sua mão. Não era Carol era aquele homem.

- Quem... Quem é você?

O estranho se aproxima um pouco, a luz parece fugir de seu rosto mas Pedro conseguiu notar os olhos estranhamente negros.

- Ah Pedro... Você é um cara inteligente, não faça perguntas que já sabe a resposta. Veja, eu posso trazer sua mulher de volta, e você ainda poderá salvar a vida daquele homem que morreu no acidente. Pense bem... Duas almas...
- Em troca do quê??
- Eheheh... Duas Almas....(resmunga alguma coisa...)
- Em troca do que????
- Isso é mero detalhe, você não precisa saber...

Pedro está atormentado, mas é a única chance de salvar sua amada. Redimir seu erro, tão pequeno, mas com consequências tão colossais... Ele estava disposto a dar sua alma ao demônio pelo seu amor! Ele não se importava mais consigo mesmo.

- Do que você precisa?
- Digamos que eu sou um cara... moderno. Relaxa, não precisa assinar um contrato em papiro com seu sangue isso é tão brega! (solta uma risada)
- E o que eu faço? Um beijo?
- Você não é meu tipo. E pare de assistir seriados! Eles são mentirosos!! (outra risadinha) Apenas diga "de acordo" e me de um entusiasmado aperto de mão. Imagine que sou um vendedor e você acabou de comprar o carro dos seus sonhos para viajar com sua esposa!! Ops.... (ele tava a boca de um modo debochado e gargalha novamente.)

Pedro estende a mão.
- De acordo...
- O que, eu não ouvi-iii... ANIMO!!
- DE ACORDO!

Apertaram as mãos.

Escuridão. Estrada. Música. Risada.

- Olha amor!! Nossa música está tocando no rádio!!

Pedro demora a se orientar. Ele está no carro. Sua mulher está retocando a maquiagem. Não é possível!! Deu certo!! Ela está viva!!

Carol pergunta à seu marido se está tudo bem, ele ficou estranho do nada. Aconteceu alguma coisa? Não meu amor! Diz ele com uma risada nervosa... Ele parece apreensivo, como se algo fosse acontecer...

Quando uma velha pickup vem na direção contrária, Pedro solta um suspiro nervoso e diminui a velocidade e parece que só volta a respirar quando o outro carro está longe. Ele encosta o carro.

- Você está bem Pedro? O que está acontecendo contigo
- Sim!! É que eu....você..... Eu te amo!!! Mudança de planos!
- Como? E a surpresa?
- Ah.. surpresa tive eu!! Vamos pra casa, eu vou cozinhar para você, a gente curte um pouco as crianças e depois tomamos um demorado banho de banheira.
- Mas você não queria...

Pedro a interrompe com um beijo lascivo e dá meia volta sorridente. Carol não entende nada mas estava gostando da animação do marido.

Chegando em casa Pedro é tomado de um mal pressentimento. Em frente à sua casa ele cruza novamente com aquela velha pickup. Eles passam devagar lado a lado. Pedro nota a grande cicatriz no rosto do homem. Definitivamente era o cara que ele tinha batido... O homem da pickup o encara com um olhar frio e vazio. Algo está errado.

Pedro estaciona o carro e desce correndo. A porta está aberta? Ele entra desesperado.

Carol ainda está entrando em casa quando ouve Pedro gritar em desespero do quarto de seus filhos.

***

O policial pergunta para Carol o que aconteceu, ela não sabe explicar. Ela está muito nervosa, chorando descontroladamente e não consegue falar direito. Mostram para ela uma foto de um homem branco, cabelos pretos e uma grande cicatriz cruzando o lado esquerdo do rosto.

Dois enfermeiros cochicham entre si
- Era esse o homem?
- Ela não viu. Só se lembrou de ter notado a cicatriz grotesca.
- Esse homem é procurado em vários estados. Ele é um serial killer cruel. Sempre tortura antes de matar. São tantas vítimas que já não se tem mais uma proporção de quantas vidas ele já tirou. Sempre crianças...

O policial se aproxima de Pedro.

- Desculpe senhor mas precisamos que...
- Duas almas por.... 
- O quê?
- Duas almas....

Pedro estava sentado na escada balançando e balbuciando baixinho. Quando o policial tocou em seu ombro ele diz com um riso estérico de quem entendeu uma piada macabra.
- Duas almas por duas almas...Duas almas por duas almas...Duas almas por duas almas!!!!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Obra Prima


Minha obra prima... Sei que você não pode me ouvir mas, por favor, aceite minha confissão, minha oferenda. Você não me conhecia, mas eu te conheço há muito tempo. E eu não sei se eu deveria dizer isso, mas ... Eu te amo.



Eu te amo tanto, que eu construí todo um mundo para você, para que você possa viver  para sempre. Um reino para uma deusa. Eu o concebi apenas depois que eu a vi em sua mais perfeita forma.

Acredite! Eu não estou bravo com você, nem magoado. Sei que você rejeitou meu amor por estar confusa, talvez por eu ter tomado a iniciativa de me declarar inadvertidamente. Eu sei, o amor as vezes assusta.

Quando eu te empurrei da sacada não foi de raiva, eu não queria, mas você está destinada a ser minha. Você não vê?

Eu desci correndo desesperado com medo de perdê-la. Mas quando te alcancei percebi que você era a minha deusa da beleza e da perfeição.



Você estava tão bonita ali, com seus olhos sonhadores ternamente fechada. Sua pele quase translúcida, que parecia estar ficando mais e mais pálida a cada segundo. A forma como os seus membros foram torcidos, delicadamente mutilados nas articulações para formar uma visão tão sobrenatural de vulnerabilidade...

Oh, que deve ter sido uma queda tão longa. Não só o edifício possuir altura incrível, mas eu sei como o mais glorioso dos anjos deve cair mais longe. Oh, meu anjo. Meu anjo se contorceu no chão. Sua carne macia havia sido raspado apenas nos lugares certos, revelando a formação artística de seu corpo interno, as curvas e formas de seus ossos.

Ninguém jamais poderia apreciar tal visão, apenas eu, o escolhido! Eu admirava a curvatura do seu pescoço, inclinado num perfeito angulo 90 graus para a direita e um pouco torcido para trás leve e delicado.

Assim que eu te vi em sua divina forma, eu precisava chegar mais perto, tocar você. Eu tremia em antecipação enquanto meus dedos deslizavam para baixo do seu sagrado corpo, certo de onde ele já estava começando a se dividir. Ele surpreendeu-me com emoção, fazendo-me pensar a cada segundo no seu gracioso voo.



E eu te carreguei... Não se preocupe, eu fui cuidadoso, certificando-me de que não danificaria o que restou de seu corpo. Alguns fragmentos do seu crânio caíram no caminho, mas eu era rápido e os coletava e os colocava para dentro. Não se preocupe, você ainda estava em uma peça quando eu trouxe para casa. Eu te trouxe para colocar na minha cama, com os braços quebrados cruzados sobre seu peito.

Você parecia com os corpos bonitos em contos de fadas antigos. Ainda mais quando eu te vesti com o vestido de casamento da minha mãe. Corri em meu estúdio e peguei meus materiais. Já os tinha separado a muito tempo, pensando nesse momento crucial!

Uma grande tela, arames, pregos, resinas, conservantes, formol e materiais químicos

Então te transformei em minha obra prima, um quadro eterno e perfeito de sua divindade. Eu criei a sua vida após a morte, o seu reino encantado onde você existe absoluta! Um pouco como o mundo que você merece. Então eu poderia continuar amando você, você e suas feridas.



Eu te tornei eterna, A me contemplar com seus olhos enegrecidos, seu salvador. Você vai viver de novo, com amor e beleza que nunca morrerá, suas feridas sempre serão frescas, e seus ossos contorcidos e mutilado como quando te encontrei. Talvez você não será de sentir o meu toque... Mas pela primeira vez.... Nossos fluidos irão se misturar, se confundir. Perfeita comunhão... Meu suor, meu sêmem  môrno. O seu sangue frio ...

Não se preocupe, meu amor.

Eu vou ser tão gentil.... como sempre fui....

domingo, 17 de março de 2013

ALMA



Essa creepy eu fiz baseada num curta um tanto antigo até... Dessa vez nao postei nenhuma imagem pois uma amiga muito talentosa ficou de ilustrar o texto pra mim. Assim que ela me entregar eu já posto aqui. (Desculpe à ilustradora, eu nao aguentei esperar e vou postar)


Eis o video que inspirou o texto.




Uma menininha brinca sozinha nas vielas desconhecidas do subúrbio da cidade. Como é legal o inverno, ela pensa. A neve dá muito mais diversão Às brincadeiras.

Ela tenta esconder, mas está chateada. Hoje nenhum dos coleguinhas podia sair para brincar. As mães estão assustadas...

Está acontecendo uma onda de desaparecimentos de crianças. As autoridades não temnenhuma pista do captor. Aulas foram suspensas e os parquinhos, antes lotados e barulhentos, estão desertos.

Mas aquela garotinha era corajosa (e desobediente) saiu de casa pela janela do quarto enquanto fingia que estudava. E agora, sozinha na rua, procurava algo divertido para fazer.

A entediada aventureira andando distraída acabou entrano num beco que nunca vira antes, alguma coisa ali chamava a atenção... A curiosidade falou mais alto e ela foi observar mais de perto.

Nesse beco havia um muro todo riscado com inúmeros nomes, que pela caligrafia, eram de crianças. A garotinha viu o nome de alguns coleguinhas e isso a deixou bem chateada. Por que ninguém me falou desse lugar antes? Saudade. Ela não via seus amigos a muito tempo e não entendia bem o motivo. Os adultos nunca contam as coisas para as crianças.

A garotinha encara o muro e uma vontade irresistível  de escrever seu nome ali cresce dentro dela. Por sorte havia um giz ao pé do muro e um espaço bem destacado em branco.

Com todo o cuidado para sua letra sair bem bonita ela começa a desenhar bem devagar...

A.....L.....M.....A....

Ela olha triunfante seu nome bem grande, bem bonito e bem no meio do muro, destacado.

Um estalo  às suas costas a assusta.

Alma não tinha notado... mas havia uma loja naquele beco. Sua fachada era de madeira e a vitrine tinha a forma de uma grande boca aberta com os dentes à mostra. Mas, espera... o que é aquilo? uma... Boneca?

Maravilhada, Alma vê na vitrine uma boneca exatamente igual a ela. Os mesmos cabelos claros curtinho, os mesmos olhos azuis, até as sardinhas no nariz!! A boneca estava usando o mesmo vestido estampado, com botinhas e gorro. Era incrível demais para uma criança!

Ela tenta abrir a porta e para sua frustração está trancada. Tenta e tenta sem sucesso. Frustrada ela pensa "daria tudo para entrar..."

Click...

A porta se abre lentamente...

Alma dá um passo para trás e espera alguém sair. Nada acontece. Ela começa a ouvir bem baixinho, um som distante... alguém chamando pelo seu nome. Alma caminha relutantemente para a porta entreaberta e a empurra devagar. De longe ouve seu nome. A Visão deixou a criança fascinada. Quem a está chamando?

A loja era pequena mas estava cheia de várias bonecas de todas as formas e estilo. Eram todas lindas!

Ela conseguia ouvir o seu nome mais alto, parecia mais perto.

Tentou dar o primeiro passo para dentro da loja mas um forte puxão e um grito a assustou!

ALMA O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?

Era a sua mãe desesperada! Quando foi levar um lanche para a filha e viu o quarto vazio e a janela aberta saiu em disparada pela cidade.

Alma quase morre de susto. Mas o mais assustador foi ver a expressão da mãe. Será um castigo severo na certa! Tentou mostrar para a mãe a boneca da vitrine mas estava vazia. Em casa, depois da bronca homérica Alma não conseguia parar de pensar na loja. Ao dormir sonhou que as bonecas eram vivas e que elas brincavam a noite toda.

Dias se passam e a Mãe preocupada com o confinamento e a crescente ansiedade da filha, resolve chamar algumas amigas (com seus filhos) para um chá e um momento de bate papo. Assim as mães colocam os assuntos em dia e as criança podem se distrair um pouco.

A assunto dos adultos entre as xícaras de chá e bolachas invariavelmente foi a preocupação pelos desaparecimentos das crianças que até o momento continuava sem explicação. Já entre as crianças, Alma se gabava da sua descoberta daquele lugar maravilhoso. Nenhum dos coleguinhas conheciam aquele beco e muito menos a loja de brinquedos.

O primo de Alma, Pedro, era o mais velho da turminha e disse que no dia seguinte teria de ir ao mercado comprar algumas verduras para a mãe e no caminho aproveitaria para conferir o beco e ver o que mais descobria.

No dia seguinte Alma vê sua tia chegando e desce animada para ter as notícias do primo. Quando chega na sala ve a tia chorando e sua mãe tentando consolá-la. Sem entender bem o que se passava subiu para o quarto e decidiu que ainda hoje voltaria àquele lugar!

Aproveitando que sua mãe, pelo visto, ficaria muito tempo ocupada com sua tia. Alma saiu dessa vez pela porta da cozinha e correu até o beco! Para sua sorte a porta da loja estava aberta e ela entrou confiante. Quantas bonecas, quantos brinquedos mas nenhum atendente, era apenas ela e o silêncio.

Andando devagar ela chuta algo, era o boneco de um meniniho montado num pequeno tricíclo. O boneco parecia movido a corda e começa a pedalar. Alma o coloca no chão para ver até onde ele vai e o boneco dispara em direção à porta que se fecha segundos antes dele atravessar. O boneco fica batendo na porta. Chato! pensou Alma!

Olhando em volta ela vê um bonequinho idêntico ao seu primo Pedro. Ela pega com cuidado e parece que boneco era de corda também, ele ficou mexendo a cabeça para um lado e para o outro, numa constante negação. Alguns bonecos começaram a se mexer também. Ou movimentando a cabeça, outros apenas os olhos, alguns que andavam se juntaram ao boneco do triciclo na porta.

De repende Alma vê a "sua" boneca. Estava lá em cima na prateleira, e olha que legal! até mudaram a roupinha dela. Está igual a minha de novo! Sem pensar duas vezes Alma começa a escalar as prateleiras mas está difícil alcançar a boneca. Ela se estica, estica e com muito esforço consegue tocar a boneca...

Silencio...
Escuro...

Alma "acorda" mas algo está errado ela não consegue se mexer. Parece que ela está atrás de um vidro, sua visão está estranha... Há um pequeno espelho na parede contrária e para seu desepero ela vê apenas a "sua" boneca. Ela demora para entender mas se dá conta que... Ela É a boneca!! As outras bonecas encaram a recém chegada, e, apesar de não terem expressão, você poderia ter certeza que elas estavam todas.... chorando...

Um click.
As bonecas ficam agitadas...
Algo se move na vitrine... Tem uma nova boneca...

Uma garotinha ruiva de vestidinho florido corre atrás do seu cachorrinho que fugiu. Ela entra num beco, mas que nunca viu antes... O cachorrinho sumiu, só há um velho muro com vários nomes escritos... pela caligrafia parece ser de crianças... Cresce na ruivinha uma vontade enorme de deixar seu nome ali também... Olha que sorte! Tem um giz bem ali!
Tem um espaço bem destacado bem no meio do muro e é ali mesmo que ela põe sua marca!

Um estalo às suas costas a assusta. Quando ela se vira para a vitrine fica impressionada! Tem uma loja de bonecas aqui? Olha! Essa boneca é igualzinho a mim!!!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Rosana parte 1


Existe uma história numa certa cidadezinha interiorana que existia uma menina "diferente". Coisas inexplicáveis e estranhas aconteciam ao seu redor constantemente. Todos da cidade diziam que sua mãe tinha feito um pacto com o diabo no dia de seu nascimento. Sua mãe, Abgail, pode-se dizer que era a curandeira da cidade (mas era mais procurada -em segredo, lógico- por pessoas que procuravam causar o mal à um desafeto, ou que procurava por vingança ou um jeito de prender um amor não correspondido) ela era muito cruel, perversa e odiada por toda a cidade. Já essa menina "diferente", Rosana, era bondosa, meiga e delicada.

Abgail era cruel

Rosana era maltratada diariamente por sua mãe que lhe batia, gritava, castigava . Não era diferente para a pobre moça fora de casa. Na cidade era hostilizada pelo moradores, expulsa de lugares públicos e constantemente insultada pela rua.

Rosana sempre viveu em solidão


Apesar da solidão e pesar no coração Rosana tinha bondade em si. Ela sempre ajudava os mendigos e cuidava dos loucos, os únicos que não a maltratavam. Ela tinha um lugar secreto - que toda criança têm -  era um grande roseiral que ficava escondido em um terreno abandonado nas margens da cidade que ela descobriu por acaso e desde então cuidou e cultivou sem que ninguém desconfiasse. As rosas vermelhas eram as suas preferidas. Para Rosana seu jardim era a única beleza que existia em sua vida e única fonte de bem estar e prazer. Era onde passava grande parte dos seus dias a chorar seu sofrimento solitário e desabafar com seu único amigo.



Sallos era o único que entendia Rosana, ele era um menininho pálido, cabelos pretos e olhos completamente negros. Rosana achava estranho ele sempre usar vestido (sua mãe falava que se chamava toga) mas não se importava muito.

Eles sempre brincavam juntos, e quando alguma outra criança maltratava Rosana, Sallos a defendia. Ele pregava muitas peças nas crianças, lhes dava sustos e sempre falava que "ia comer a alma" daquele menino abusado ou daquela menina mimada que magoava sua amiga. Rosana nunca entendeu e achava graça.

O mais legal de Sallos é que ninguém podia vê-lo, apenas Rosana e Abgail.
Únicos amigos

O tempo passa e Rosana conta agora com 15 anos. Pouca coisa mudou nos últimos anos. Os maus tratos, a tristeza permaneciam uma constante. Sallos estava cada vez mais estranho, sempre falando coisas ruins, de vingança, de maltrato aos outros, de morte. Rosana tinha medo e não se deixava contaminar pelo ódio de seu amigo. Ela tinha esperanças de sair daquela cidade miserável e começar a vida do zero em outro lugar longe dali! Até que em certa noite algo assustador aconteceu...

Rosana acorda suja de sangue. Sua cama e seus lençóis estavam tingidos de vermelho. Ela grita desesperada pela mãe. Quando Abgail entra no quarto com uma expressão severa pronta para mais uma bronca, ao ver o sangue na cama, seus olhos brilham de satisfação.

"É a sua menarca, Rosana. Finalmente chegou a hora do ritual"

A menina é arrastada até a mesa da sala e amarrada e amordaçada. Abgail começa a andar pela casa juntando quinquilharias para o ritual balbuciando algumas palavras numa língua estranha. Sallos apenas fica ao pé da mesa olhando fixamente para Rosana, seus olhos tinha a cor de brasa viva e ele ostentava um sorriso perverso. Rosana apavorada, olha suplicante para sua mãe, jamais viu o seu rosto daquela forma tão deformada. Um misto de prazer, ódio e pura maldade.

Abgail sussurra no ouvido da filha:
-15 anos aturando sua existência miserável. Finalmente valerá a pena, sua criança imunda! Irei tomar para mim sua juventude e voltarei a ser vigorosa e bela mais uma vez!! E começa a rir descontroladamente.

Sallos então completa:
-Quando você nasceu, sua querida mamãe consagrou sua alma à mim, Sallos poderoso Grande Duque do inferno, que comanda trinta legiões de demônios, em troca de poder, conhecimento e juventude. Não há nada que você possa fazer, seu sofrimento está apenas começando."



A voz de Sallos não soou meiga e infantil como sempre fora. Dessa vez soou gutural e demoníaca, era como se todas as legiões de demônios falassem pela mesma garganta.

Rosana não teve reação encarou o sorriso malicioso de Sallos, seu único amigo, o único que a entendia, o único que a aceitava... Na verdade ele estava fingindo o tempo todo! Rosana desistiu de lutar. Fechou seus olhos e lembrou de todos a mágoa que vivera até ali. A vida é cruel, as pessoas são cruéis. Por que tentar ser boa se tudo o que aprendeu foi sofrimento. Todos.... merecem... paguar....

E a minha moeda será em sangue.

Um crescente ódio tomou conta de sua mente e seu corpo e ela fez algo que até então temia profundamente. Deixou o ódio fluir. Em sua mente ela pediu com todo o desprezo e raiva acumulados para Sallos que se ele quisesse almas, que a poupasse. Rosana ouve apenas uma risada.

Em cidadezinhas pequenas não há muito o que fazer, os jovens inventam diversões com o que lhes é disponível. E sempre escolhem as mais perigosas. A diversão naquela noite era atazanar a noite da velha bruxa e sua filha estranha. Eles chegam de mansinho pela escuridão da noite. O grupo de 5 adolescentes querem pregar uma peça e jogar bombinhas dentro da casa. Quando estão chegando perto elas ouvem os gritos de Rosana e uma movimentação estranha.

Atônitas elas observam escondidas na janela Rosana amarrada numa enorme mesa e a velha bruxa correndo pela casa e pegando vários objetos estranhos, depois os organizando em volta da mesa, fazendo desenhos estranhos nas paredes, no ventre de Rosana e embaixo da mesa.



O grupo estava assustadíssimo quando para sua surpresa Rosana simplesmente se solta das amarras da mesa e investe contra a sua mãe com olhos de puro ódio animalesco.


CONTINUA.....

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Zalgo


Todos nós estamos habituados hoje em dia com o termo "meme", mas não sabemos a profundida que uma palavrinha de 4 letras pode ter na nossa realidade.



Dizem que sua origem foi por volta de 2004 em um fórum chamado SomethingAwful e seu criador seria Dave Kelly, também conhecido como "Shmorky", um animador de Flash. Segundo o criador, Zalgo afeta apenas quadrinhos, desenhos animados e ilustrações, e não a realidade em si (contrariando 99% das histórias sobre Zalgo)... A não ser, claro, que ele esteja mentindo... O que é BEM PROVÁVEL.



Zalgo é um meme obscuro que não está presente em qualquer site, mas se procurar é fácil de encontrar imagens e tirinhas. O meme transmite a idéia de caos, desordem e horror. Sua imagens e tirinhas causam desconforto e arrepios a quem vê. Normalmente esse meme não faz muito sentido e as tirinhas começam com temas amenos com personagens conhecidos até que repentinamente muda para algo abissal.

Olha que bonitinho. eita! pera!!


Podem haver referencias escondidas como "Zalgo wuz heer (Zalgo esteve aqui)" ou então pelo sua frase mais caracteristica "He Comes (Ele vem)".



Zalgo propriamente dito não aparece mas pode ser definido como "horror", uma criatura de terror extremo. Ele é conhecido como "Aquele Que Aguarda Atrás Das Paredes" e "Hivemind Nezperdian". Ele é uma abominação, não tem olhos e tem sete bocas. Sua mão direita segura uma estrela morta e sua mão esquerda segura uma “Vela Cuja Luz é Sombra”, e está manchado com o sangue de Dhaegar Am. Seis de suas bocas falam em línguas diferentes. Quando chegar a hora, a sétima deve cantar a canção que encerra a Terra.



É um meme que toma proporções bizarras e um certo senso de existência factual. Já existindo até mesmo "ritual de invocação de Zalgo" (Nota do autor: Eu NAO tive as caras de rodar esse vídeo)



Eu vi uma teoria interessante que vou tomar a liberdade de copiar aqui:

Em 1920 o escritor H.P. Lovecraft criou a criatura Cthulhu, cujo nome também pode ser pronunciado como “KAH-THOO-LOO” or “CHA-THOO-LAH”. Ele seria um Deus maligno do caos que possuía milhares de seguidores, todos fanáticos, Esse Deus exigia sacrifícios e era fonte de loucura ilimitada. Após o seu lançamento em "The Call of Cthulhu", o personagem de Lovecraft tornou-se famoso dentro da cultura nerd como um dos mais malignos deuses, sendo bem conhecido até hoje. Semelhanças com Zalgo? Não é coincidência. A presença dos tentáculos, o caos, a falta de sentido estão presentes em ambos os casos, o meme foi claramente influenciado por ele.
Mas o pior é que não é só isso.
Se eu dissesse a você que muitos acreditam que Lovecraft baseou seu personagem em um deus existente que realmente foi cultuado?

Esse "Deus" sumério (persa em algumas traduções) seria de onde Lovecraft tirou sua inspiração, sendo que a história se torna obtusa em alguns pontos. Não vou tentar aqui transmitir a história toda mas tentarei dar a você a verdadeira mensagem de Zalgo.
Esse Deus, essa entidade em muito se difere do diabo descrita na Bíblia, ele não deseja tomar o mundo, derrubar Deus de seu posto ou comandar exércitos, essa talvez seja a pior parte.
É a Loucura.
É isso que ele deseja. Está bem claro no resultado das pesquisas ao culto e ao temor que os sumérios tinham a ele. Ele quer ver o mundo se devorar, as pessoas se destruírem. comumente são relacionadas ao culto orgias e matanças sem fim, como se fossem uma coisa só. Dor e prazer, vida e morte, criação e destruição. Eu não entendo o que isso significa, espero que você também não.
Zalgo,  Cthulhu e o Deus Sumério. Seriam apenas coincidências? Ou talvez uma mensagem por trás de tudo? Talvez os três sejam faces da loucura do ser humano, dos pequenos desejos suicidas e homicidas escondidos dentro de cada um. Ou algo externo?
Fonte: http://creepyattic.blogspot.com.br/search?q=zalgo



Eu acrescento algo que essa teoria deixa passar batido.

Os sumérios são uma civilização intiquissima e deles que surgiram criações que transformaram o mundo e nos trouxe até aqui. Exemplo? Os sumérios foram os primeiros a criar a escrita. Deles surgiram todas as codificações que hoje usamos para nos comunicar.


Daí eu relembro a você a conceituação de meme como um "virús" que se espalha de mente a mente.

Existem algumas teorias de alguns historiadores, esotéricos, ocultistas, que os sumérios tinha um conhecimento muito além do que podemos imaginar e que a sua linguagem era a mais completa que já existira. Acredita-se que os sumérios conseguiam "programa" a mente dos indivíduos usando apenas a voz. Seria a transmissão de um vírus cerebral atravéz da palavra?

Bom, esses paralelos podem parecer bobagem para muita gente mas e se fosse real. Seria que esse tal Deus sumério da loucura (que eu não consegui descobrir o nome ainda) encontrou o jeito de contaminar a todos e voltar à essa realidade?



Larvas

Diz a ciência e a razão que a amnésia alcoólica se dá devido à intoxicação do cérebro, que em dado momento "desliga" as áreas responsáveis pela codificação e lembranças passadas.

Mas... e se a amnésia fosse na verdade um mecanismo de defesa contra algo bem mais perturbador?

Existe um (por falta de definição melhor) parasita chamado Larva Astral. Ela são manifestações de espíritos de pessoas que viveram sua vida nos vícios e excessos. São entidades extremamente ligadas à vida material e que se perderam num processo de desumanização e aos vícios. Quanto mais se alimentam mais grotescas se parecem.

Aos poucos elas se tornam uma massa disforme de olhos, bocas, tufos de cabelo, pele e membros amorfos que procuram apenas se alimentar cada vez mais.

O que mais atrai as Larvas Astrais é, obviamente, o exagero de tudo que intoxica e é animalesco. Bebida demais, cigarro demais, jogatina demais, sexo demais. Elas surgem das sombras rastejando, murmuriando coisas sem sentido, grunindo e farejando o ar atrás de pessoas mais suscetíveis ao seu ataque. Quanto pior o ambiente mais larvas se aglomeram. Se pudéssemos ouvi-las seria como ouvir o inferno. Um coro de lamento, grunidos, choro e gritos guturais.

Quando se bebe demais e chegamos a um ponto em que passamos daquele limite do extremamente bêbado, às veze devido ao excesso, as defesas naturais do cérebro se desfazem e então passamos a ouvir e ver ao grotesco show de horrores que cerca o indivíduo. 

O ébrio verá as Larvas Astrais se aproximando e grudando em seu corpo, rastejando em sua pele disputando espaço. Verá elas, tal qual macabras sanguessugas, mordendo seu corpo com enormes bocas disformes e sugando seus fluídos. Algumas pessoas ficam cobertas de inúmeras larvas.

Normalmente o choque é tão grande que desmaiamos, entramos em choque e em grande parte dos casos esquecemos no dia seguinte. Acordamos sem lembrar de nada mas com dor de cabeça, desidratação, dores no corpo, algumas manchas roxas... São todas consequências físicas de atuação das Larvas Astrais

Contudo, alguns poucos azarados não são agraciados com essa defesa e são assombradas por anos, senão pela vida toda, com as imagens grotescas e os sons infernais dessas criaturas que podem estar bem ali, pertinho da mesa em seu bar preferido...

E aí, desce mais uma gelada?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O cavaleiros do apocalipse


Texto feito à pedido (mais um desafio, na verdade) de [Hannibal], adm da página Erro 404 =)


***
Todos conhecemos, ou pelo menos já ouvimos falar da guerra de canudos. Ela ocorreu por volta de 1897, no interior do sertão nordestino. Os acontecimentos e fatos históricos desse massacre estão documentados em inúmeros livros didáticos. Contudo, existe uma história que apenas os anciãos sabem.... e a temem...

Milhares de sertanejos, miseráveis, ex-escravos rumaram para a terra prometida de Antônio Conselheiro. Mas é claro que dentre tanta esperanças de um novo recomeço e uma vida mais digna, haveria muito oportunismo.



E foi justamente isso que levou até os portões de canudos 4 irmãos que eram temidos por sua cobiça, crueldade e frieza. Seus nomes foram riscados da história, mas os mais velhos os chamam de os 4 cavaleiros do apocalipse. Todos evitam falar desses personagens pois acreditam que a mera menção atrai mau agouro.

Em outras regiões do Brasil existem lendas de criaturas que cospem fogo nas noites escuras. Alguns falam em mula-sem-cabeça, outros em boi-tatá, e até mesmo o curupira. Mas na vastidão da caatinga todo cangaceiros sabe que avistar um fogo misterioso à noite é sinal de danação e morte.

Todos sabemos que na época correu a notícia que Canudos estava se armando e se fortificando para atacar cidades vizinhas até chegar à capital para depor o governo. Mesmo sem provas contretas o clamor social acabou levando a República a agir enviando expedições para tomar Canudos. Duas expedições foram derrotadas o que gerou uma histeria na população e legitimou o uma reação extrema do exército, que culminou num massacre sem precedentes.



Poucos sabem que tais fatos ocorreram por culpa dos 4 irmãos renegados. Eles em sua cobiça por riquezas e fome de crueldade, atacavam latifundios, diligencias, vilarejos de forma rápida e cruel. Matavam crianças, estupravam mulheres e roubavam tudo de valor que viam pela frente. 

Aos poucos as pessoas foram associando o quarteto à canudos. O que culminou nos ataques do exército à cidade. Na primeira e segunda expedição, que foram derrotadas. O quarteto deixou fluir toda a sua sede de sangue, sendo grandes pivôs para as vitórias de Canudos. Eles sozinhos lutavam e principalmente matavam como um pequeno exército.



Porém eles causavam terror tanto aos inimigos quanto aos aliados. Enquanto matavam e feriam ficava estampado em seus rostos, tal como uma vibora, um sorriso maníaco e a expressão de puro prazer em seus olhos. Eles não distinguiam suas vítimas e matavam tanto sertanejos como soldados.

Antônio Conselheiro temendo pela segurança de seu povo, e sabendo das histórias que corriam sobre o quarteto resolveu expulsá-los da cidade. O que foi fácil, pois ele já tinham juntado uma grande quantia de ouro, joias e artigos valiosos.



O quarteto desaparece na imensidão do sertão, a população de Canudos respira aliviada, porém a notícia chega até os oficiais do exército que tomados de repentina coragem ante a ausência dos 4 cavaleiros do apocalipse resolvem investir novamente contra seu inimigo.

Uma enorme expedição é formada e segue para canudos. Um grupo de batedores foram na frente para aprontar acampamento e vigiar se não haveria problemas. Mal sabem eles que encontrariam O quarteto na noite fria do sertão. A pequena expedição levantara acampamento e os soldados tentavam descansar apreensivos com o embate que os esperava. Todos estavam meio nervosos e assustados.Eles sentiam que estavam sendo observados, vigiados. E estavam certos.

O quarteto viu ao longe o acampamento e resolveram fazer uma tocaia. Deixaram seus cavalos carregados de riquezas escondidos e foram à pé chegando sorrateiramente pela sombra e cercaram o acampamento e de surpresa atacaram com toda a sua fúria, somente pelo prazer da matança. A luta foi cruel e rápida. O quarteto dizimou a pequena comitiva em pouco tempo sem muito esforço. O acampamento estava em chamas e eles riam da fraqueza de seus inimigos.

Contudo a fumaça chamou atençao do destacamento maior que se mobilizou e surpreendeu o quarteto enquanto festejavam sua vitória. Os irmãos não tiveram a mínima chance, mas ainda sim lutaram como animais selvagens até o derradeiro abate.



Suas cabeças foram decepadas e seus corpos lançados às chamas. As cabeças foram enterradas em algum lugar desconhecido. A expedição, agora com a moral elevada e os soldados sem temer ao terrível quarteto segue para Canudos, que agora não tinha nenhuma chance, e a destroem, como contam todos os livros de história. O sertão estava livre dos 4 cavaleiros do apocalipse. Será?

Dizem os antigos que nas noites mais escuras é possivel ver um fogo misterioso. Muitos dizem já ter visto de perto 4 cavalos de um fogo azulado montados por fantasmas sem cabeça.  Eles acreditam que são os fantasmas dos 4 irmãos. durante a batalha que os matou os cavalos se assustaram e correram sem rumo pelo sertão espalhando todo o ouro e joias roubados e que os irmãos ao chegarem no inferno cobertos de sede de vinganças, de crueldade e cobiça pelo ouro, fizeram um acordo com o próprio diabo. Eles coletariam almas e matariam inocentes enquanto procurariam por toda a caatinga pela sua riqueza perdida.



Quando um sertanejo incauto encontra uma moeda de ouro no chão e a pega para si, à noite receberá a visita dos 4 cavaleiros do apocalipse que roubarão a moeda de volta e tudo que houver de valor. Antes de partirem, apesar de qualquer pedido de clemência, eles cortarão a cabeça do azarado em vingança ao que lhes foi feito no passado e a levarão consigo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A velha bruxa

Creepypasta à pedido (na verdade um desafio) da [Ramona], adm da melhor página do FB Error404Creepypastas



Toda cidadezinha tem uma velha senhora que todos crêem firmemente que é uma bruxa. Toda cidadezinha tem um grupo de jovens destemidos e arrogantes doidos para queimar sua juventude em aventuras intrépidas e revolucionárias, só para ser o “maioral” do grupo. Bem, nessa pacata cidade não seria diferente. 

Nessa pequena cidade, todos se conheciam e todos conheciam principalmente a velha da casa das árvores secas no fim da rua. Ela morava lá desde quando todos se lembravam, ninguém sabe exatamente sua idade mas até os mais velhos se lembravam dela já idosa na época de sua infância. Todos evitavam olhar para a casa por muito tempo, e qdo passavam por perto fazem incontrolavelmente o sinal da cruz. 

Nela morava uma senhora solitária, tendo como compania apenas os corvos, as ervas daninhas e alguns gatos moribundos. Todos falavam que ela era uma bruxa e que tinha pacto com o “sete-pele” (mas sempre a procuravam secretamente para interromper uma gravidez indesejada, para conseguir o amor de um pretendente, para conseguir uma vingança, ou para ter bons agouros na próxima colheita).



A casa das árvores secas no fim da rua era o grande lugar de aventura dos jovens aventureiros. Era normal os desafios de entrar lá às escondidas e pegar alguma coisa escondido ou fazer alguma marca nas paredes já imundas da casa. E nessa noite não seria diferente.

Renata era uma jovem conhecida em toda a cidade. Ela era a mulher mais destemida que todos já viram, para o fascínio dos jovens da cidade e desespero dos seus pais. Hoje era seu aniversário de 18 anos, e como era tradição na cidade o aniversariante deveria dar um susto na velha bruxa à noite para ter uma vida de sucesso e boa fortuna. E é claro que Renata esta MUITO entusiasmada para isso. 

Ela era a pessoa que mais fora longe naquele terreno inóspito, ela foi a única que conseguiu trazer coisas DE DENTRO do segundo andar da casa e ela era admirada por suas façanhas. Ela adorava isso! Dar um susto na velha era fichinha!

Já era meia noite. Toda a galera estava reunida em volta do discreto buraco no grosso muro que cercava a casa. Único acesso livre ao terreno. Estavam todos muito animados e bêbados! A lua estava cheia, enorme e o céu muito nublado o que dava um clima perfeito para sua aventura!

Renata já tinha passado um pouco da conta na bebida, não que ela precisasse disso para dar coragem, e ela entrou sem nem olhar pra trás seguida de um suspiro de tensão de sua fiel platéia. Ela segue confiante andando como um gato no escuro do terreno que ela tão bem conhecia. Parecia que a velha bruxa estava numa tosca varanda no segundo andar. Era mais uma frágil estrutura de madeira podre que despontava torta por trás da casa.

Renata subiu silenciosamente ao segundo andar e viu pela portinhola a velha bruxa cantando alguma coisa em uma língua estranha, olhando para a lua. Por algum momento ficou encantada com a lua, ela parecia mais brilhante, maior, e um tanto assustadora, dali de onde estava. Passado alguns segundos Renata começa a observar ao seu redor o que poderia usar para dar um cagasso na anciã. Ao seu redor tinha vários armários velhos com gavetas escancaradas e várias ervas, pedaços de bichos, e potes com conteúdo desconhecidos. Ela viu 3 potes ornamentados com uns símbolos que achou ser perfeito para a peça.



Pé-ante-pé Renata vai até a estante atrás da bruxa, que parecia estar em transe profundo e tentou pegar um dos potes, contudo era muito mais pesado que imaginara ela se desequilibrou e caiu pra trás derrubando o pote aos pés da velha.

O pote se quebrou e revelou que estava repleto de vermes e insetos. A sua maioria várias espécies de baratas que começaram a subir rapidamente pelo corpo da velha bruxa que se assustou e correu em direção à Renata, que estava com os instintos à flor da pele.

A bruxa em investida não foi tão rápida, Renata num rápido giro correu para a porta. A velha bateu no armário com os potes e com o baque caiu sobre seus corpo causando uma reação em cadeia. Tudo estava vindo ao chão virando uma grande bagunça. 

A velha bruxa estava presa debaixo do pesado armário coberta de insetos, vermes e baratas dos potes quebrados. Ela olhou pra jovem e pediu ajuda. Renata, que secretamente tem um profundo pavor por baratas, ficou imóvel, pálida, paralisada pelo medo, com olhar perdido. A velha que ao ver que a jovem não faria nada simplesmente olhou fixamente em seus olhos sussurrando alguma coisa.

Quando Renata conseguiu voltar à si e correu para tentar ajudar à velha, mas a laje de madeira cedeu e veio ao chão. Renata quase não consegue pular de volta pra segurança de dentro da casa. 

Um grande estrondo assusta aos jovens reunidos fora dos muros da casa, todos saem correndo assustados para suas casas ou para longe daquele lugar maldito, os vizinhos acordam e as luzes das casas próximas começam a se acender. Não demoraria muito até as autoridades chegarem.

Renata corre desesperada com a adrenalina queimando em seu corpo de volta para casa. Somente quando chegou em casa e que deitou um pouco se deu conta do que tinha acontecido. Ela chora desesperadamente, como falar para alguém do ocorrido? como falar que ela matou alguém? As visões da velha bruxa coberta por baratas arrepiava seu corpo, e habitou seus sonhos durante 3 dias.

Renata não era mais a mesma, nos dias seguintes se isolou, ficava sempre no seu quarto e não aceitava mais as visitas de seus amigos. Ninguém tocava no assunto. Ela não conseguia esquecer do rosto da velha bruxa perfurando com aquele olhar frio, sussurrando maldiçoes antes de morrer.


Naquela noite, não bastando todo esse terror, apareceram duas baratas enormes no seu quarto. Renata em pânico corre pela cara gritando pelo pai para dar cabo delas e com medo de voltar pro quarto desce para a sala de TV, talvez se jogar um pouco de vídeo game ela conseguia esquecer um pouco isso tudo, depois de um tempo ela já estava mais calma quando passa pela TV outra barata enorme e fica ali parada bem no meio, como se quisesse ser vista. Novo pânico, muito inseticida essa seria uma noite em claro pelo visto. A casa deveria ser detetizada de novo!!

O dia raia e Renata está exausta, não conseguiu pregar os olhos a noite inteira com medo daquelas criaturas rastejantes. Aliviada por ser dia ela sobe para o quarto e tenta pelo menos cochilar. Pesadelos muito reais onde seu quarto era invadido por baratas de todos os tipo, seu corpo era envolto por inseto tal qual a velha bruxa, que estava ali no pé da sua cama. Renata pedia por ajuda e a velha apenas observava sem nenhuma emoção no rosto.

Acorda suada e com medo, e ela tem a impressão de ter visto uma barata correndo pra baixo do guarda roupa. Desespero toma conta de sua mente. Ela tem medo de sair da cama de entrar no banheiro de abrir o guarda roupas. 

Durante todo o dia Renata vê pela visão periférica rapidamente baratas em todos os lugares em que ela está, sempre se escondendo quando se olhava diretamente. Até que a noite chegou novamente. Ela está exausta e tensa. Completamente paranóica. Sua mãe preocupada sugere que ela tome um comprimido para ajudar dormir. Toma 3 e rapidamente está groge na cama se entregando ao cansaço. Agradecida por ter uma noite de sono.

É meia noite e Renata acorda com um barulhinho bem baixinho que ecoa por todo o quarto. Ela fica alguns segundos recobrando os sentidos, prestando atenção ao som e para o seu horror ela reconhece. É barulho de insetos andando, voando... Barulhos de baratas!! Elas estão por toda a parte! 

Renata numa atitude infantil apenas se encolhe, fecha os olhos e se esconde debaixo das cobertas. Alguns segundos após ela sente uma movimentação, elas estão na sua cama, estão andando em mim! Ela se levanta num pulo desesperado e dá de cara com a velha bruxa ao pé da sua cama. Coberta de insetos. Olhando diretamente para ela sem nenhuma emoção no rosto. Os olhos opacos, pele pálida, broca roxa. A velha abre a boca e dela sai uma nuvem de baratas voadoras que tomam conta do quarto.

Renata num súbito mais de desespero que coragem corre em direção à porta pisando descalça naquele tapete vivo, escorrega e cai. Ela se vira pra velha chorando e grita por ajuda. Não há resposta apenas aquele olhar morto.

Renata tenta se levantar desesperada mas quanto mais tenta mais escorrega e vai ao chão. Já toda suja de insetos esmagados ela vê que aquela invasão do quarto está subindo em seu corpo. Ela grita mas é sufocada. As baratas entram pela sua boca, nariz, ouvido. Invadem sua vagina e se anus. Ela sente o profundo asco dos insetos invadindo o interior do seu corpo, descendo pela sua garganta, subindo em seu ventre. Ela sente pequenas mas dolorosas mordidas suas vísceras. Atônita e já sem forças ela apenas olha para a velha bruxa tentando se manter viva, os insetos cobre totalmente seu corpo ela não vê mais nada, não sente mais nada.


Os pais de Renata ouviram uma certa agitação no quarto e preocupados correm para ver o que estava acontecendo, mas a porta está emperrada eles não conseguem abrir. O pai tenta com todas as forças chutar a porta e arrombá-la sem sucesso. Quando perde as forças e já está saindo para procurar ajudar a porta simplesmente abre sozinha. Eles correm parar dentro e vêem o quarto completamente normal porem vazio, sem nenhum sinal de Renata. Eles apenas vêem um barata correndo para baixo do guarda roupas.