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quinta-feira, 4 de abril de 2013

O motel

[Mais uma baseada num capítulo do seriado 13 medos - As imagens são do capítulo =) ]



Letícia vinha dirigindo a muitas horas, por uma rodovia que  é conhecida por ser interminavelmente grande e tediosamente reta. Já era madrugada e o cansaço começada a dar seus primeiro sinais. Ela foi informada no último posto em que abasteceu que seguindo em frente haveria um pequeno motel. Modesto mas aconchegante, disse o frentista.


Contentrada tentando localizar o motel, Letícia passou por uma mulher na beira da estrada acenando, provavelmente pedindo carona, mas o cansaço era maior e Letícia passou direto. O motel deve estar perto, pensava para se animar.

Um som baixinho veio do banco de trás, quando Letícia olhou no retrovisor havia uma mulher com um grotesco corte já necrosado em seu pescoço. A mulher então agarra Letícia gritando por socorro.

Um carro vindo na contra mão bozina e acorda Letícia, que agora estava bem preocupada. Ela tem o costume de viajar muito mas nunca dormiu no volante. 







Luzes afrente.

Piscava na escuridão: M O T E

Aliviada Letícia estaciona e segue direto para a recepção, que estava vazia. Ela bate algumas vezes na campainha até que surge um sujeito gordo, malcheiroso e com uma cara de péssimo humor.

Combinado os preços o homem pergunta se Letícia tem alguma preferencia de quarto. Já que ela era, até o momento, a única hóspede daquela noite. Ele fala de forma insinuante que sugeriria o quarto número 1 que era o mais proximo da recepção e abre um sorriso grotesco. Letícia com evidente asco escolho o mais distante, o quarto 13.


Chegando ao quarto, direto para a cama. Mal fecha os olhos, um barulho começa a incomodar. Era como um choro bem baixinho, um gemido, vindo do quarto ao lado.

Já irritada, Letícia bate na parede pedindo silêncio. O som para, porém, logo após surge outro. Dessa vez o som vinha de fora do quarto, ela olha pela janela e vê aquela mulher que estava na estrada sentada num balanço abandonado e bem enferrujado, encarando a janela do quarto 13. Elas trocam olhares e a mulher sai. Tem algo errado com essa moça, pensa novamente Letícia. O som recomeça mais alto no quarto ao lado. 

Os gemidos e o choro ficaram mais altos e mais desesperados. Letícia assustada corre até a recepção e bate repetidas vezes a campainha até o homem surgir novamente. Seu humor havia piorado.

Ela conta dos barulhos no vizinho e o homem disse que era impossível já que ela era a única hóspede. Letícia insiste e diz que vai ligar para a polícia. O homem tentando manter a calma respira fundo e pega a chave #12.

como era esperado o quarto estava completamente em silencio e vazio. O homem olha contrariado para Letícia e pergunta se pode finalmente voltar a dormir e sai resmungando.

Letícia volta constrangida. Ao fechar a porta o som recomeça. Ela encosta o ouvido na parede para tentar identificar o que era aquilo quando uma forma humanóide se projeta da parede.

Era como se alguem estivesse atrás de um pano e estivesse tentando rompê-lo. Essa forma gritou NÃO DEIXE QUE ELE TE VEJA!!


Com o susto Letícia tropeçou e caiu, batendo a cabeça na quina da cama.

Tontura. dor. sangue.

Ela cortou a cabeça, e se levantou devagar porém outro susto veio. Alguém tentava abrir a porta do quarto. Ela corre pelo quarto procurando um lugar para se esconder. Acaba trancada no banheiro.

Olhando pela fechadura viu a mulher que pedia carona entrar com um homem encapuzado. Eles conversam algo e o homem tenta assediar a mulher, que nega educadamente.

O homem se exalta e tenta agarrar a mulher à força. Ela luta e rasga a manga da blusa mostrando uma enorme cobra tatuada no braço esquedo do homem. Consegue se soltar e corre para o banheiro, mas o homem a puxa pelos cabelos e num golpe preciso corta sua garganta. A mulher agoniza no chão olhando diretamente nos olhos de Letícia.

Quando quedou inerte no chão o homem calmamente pegou uma marreta e abriu um buraco na parede e acomodou o corpo da mulher. Letícia que observava a tudo em pânico deixou escapar um gemido.

O homem ouviu.

Letícia tentou trancar a porta mas descobriu que o trinco estava quebrado, o homem veio furioso tentando abri enquanto Letícia tentava mantê-la fechada com as costas na parede e empurrando com as pernas. Mas o homem era mais forte e conseguiu esgueirar um braço e botar o pé para impedir a porta de fechar.

Tateando ele alcançou a perna de Letícia e puxou com força. A porta abre.


Tontura. dor. Sangue.

Ela cortou a cabeça, e se levantou devagar. Demorou alguns segundos para ela se recuperar do desmaio. Assim que se sentiu com os pés firmes correu para a recepção de novo. Gritou pelo homem que se assustou com a mulher invadindo sua sala e pegando um martelo numa caixa de ferramentas jogada ali no canto.

Ele foi seguindo aquela maluca perguntando o que estava acontecendo. A mulher gritava que sabia onde "ela" estava que era para ele chamar a policia.

Letícia voltou ao quarto e foi direto para a parede. Sem exitar começou a golpear com toda a força. O homem gritava nervoso que ela ia pagar o conserto, que ela tinha enlouquecido.

Batidas, batidas, batidas.

Um grande buraco já se formara na parede e um braço apodrecido se estende. Letícia olha assustada para o homem mostrando o achado.

Ele sorri e arregaça as mangas. Uma grande cobra surge tatuada em seu braço esquerdo. rapidamente ele saca uma faca e ataca Leticia que no susto desviou no último segundo, ainda levando um corte severo no rosto.

Ela ficou no chão sem reação, o homem se aproxima tranquilamente e num golpe certeiro corta sua garganta. 

Seu humor parecia ter melhorado.






Amanda odeia dirigir à noite, mas parece que não existe lugar para passar a noite naquela maldita rodovia. Ainda bem que o frentista do posto disse que havia um motelzinho ali perto. Na falta vai esse mesmo.

Enquanto tentava achar esse tal motel, ela passou por uma mulher na beira da estrada gesticulando. Esses hippies tem muita coragem de ficar pedindo carona no meio dessa escuridão, eu que não paro.

Um barulhinho no banco de trás. Quando Amanda olha pelo retrovisor quase perde o controle do carro. Uma mulher com um grande corte no pescoço e no rosto a agarra gritando por ajuda.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Obra Prima


Minha obra prima... Sei que você não pode me ouvir mas, por favor, aceite minha confissão, minha oferenda. Você não me conhecia, mas eu te conheço há muito tempo. E eu não sei se eu deveria dizer isso, mas ... Eu te amo.



Eu te amo tanto, que eu construí todo um mundo para você, para que você possa viver  para sempre. Um reino para uma deusa. Eu o concebi apenas depois que eu a vi em sua mais perfeita forma.

Acredite! Eu não estou bravo com você, nem magoado. Sei que você rejeitou meu amor por estar confusa, talvez por eu ter tomado a iniciativa de me declarar inadvertidamente. Eu sei, o amor as vezes assusta.

Quando eu te empurrei da sacada não foi de raiva, eu não queria, mas você está destinada a ser minha. Você não vê?

Eu desci correndo desesperado com medo de perdê-la. Mas quando te alcancei percebi que você era a minha deusa da beleza e da perfeição.



Você estava tão bonita ali, com seus olhos sonhadores ternamente fechada. Sua pele quase translúcida, que parecia estar ficando mais e mais pálida a cada segundo. A forma como os seus membros foram torcidos, delicadamente mutilados nas articulações para formar uma visão tão sobrenatural de vulnerabilidade...

Oh, que deve ter sido uma queda tão longa. Não só o edifício possuir altura incrível, mas eu sei como o mais glorioso dos anjos deve cair mais longe. Oh, meu anjo. Meu anjo se contorceu no chão. Sua carne macia havia sido raspado apenas nos lugares certos, revelando a formação artística de seu corpo interno, as curvas e formas de seus ossos.

Ninguém jamais poderia apreciar tal visão, apenas eu, o escolhido! Eu admirava a curvatura do seu pescoço, inclinado num perfeito angulo 90 graus para a direita e um pouco torcido para trás leve e delicado.

Assim que eu te vi em sua divina forma, eu precisava chegar mais perto, tocar você. Eu tremia em antecipação enquanto meus dedos deslizavam para baixo do seu sagrado corpo, certo de onde ele já estava começando a se dividir. Ele surpreendeu-me com emoção, fazendo-me pensar a cada segundo no seu gracioso voo.



E eu te carreguei... Não se preocupe, eu fui cuidadoso, certificando-me de que não danificaria o que restou de seu corpo. Alguns fragmentos do seu crânio caíram no caminho, mas eu era rápido e os coletava e os colocava para dentro. Não se preocupe, você ainda estava em uma peça quando eu trouxe para casa. Eu te trouxe para colocar na minha cama, com os braços quebrados cruzados sobre seu peito.

Você parecia com os corpos bonitos em contos de fadas antigos. Ainda mais quando eu te vesti com o vestido de casamento da minha mãe. Corri em meu estúdio e peguei meus materiais. Já os tinha separado a muito tempo, pensando nesse momento crucial!

Uma grande tela, arames, pregos, resinas, conservantes, formol e materiais químicos

Então te transformei em minha obra prima, um quadro eterno e perfeito de sua divindade. Eu criei a sua vida após a morte, o seu reino encantado onde você existe absoluta! Um pouco como o mundo que você merece. Então eu poderia continuar amando você, você e suas feridas.



Eu te tornei eterna, A me contemplar com seus olhos enegrecidos, seu salvador. Você vai viver de novo, com amor e beleza que nunca morrerá, suas feridas sempre serão frescas, e seus ossos contorcidos e mutilado como quando te encontrei. Talvez você não será de sentir o meu toque... Mas pela primeira vez.... Nossos fluidos irão se misturar, se confundir. Perfeita comunhão... Meu suor, meu sêmem  môrno. O seu sangue frio ...

Não se preocupe, meu amor.

Eu vou ser tão gentil.... como sempre fui....

terça-feira, 26 de março de 2013

O porão


"Uuugh .. o.. o que me aconteceu ..?"

O homem acordou em um porão e esfregou a testa, gemendo, e fechando os olhos antes de olhar ao redor.

Breu.

Tudo o que ele conseguia se lembrar é de ter ficando bêbado e ir para casa com alguma mulher. Estava escuro, e ele começou a levantar-se, quando se apoiou no chão sentiu algo molhado. Parecia... estranho. Como uma espécie de mistura de pedaços macios e líquido.

Ele deu alguns passos cambaleantes, de vez em quando de ouvir uma espécie esguinho, como se estivesse pisando nas entranhas de alguém ou em alguma coisa encharcada. Encontrando a parede, ele sentiu que em quase toda parte houve algum tipo de líquido.

Depois de tatear pela parede, ele achou um interruptor de luz. Uma luz muito, muito fraca e vacilante invadiu o ambiente. Ele olhou para seus dedos e não aguentou.

Sangue?

As bebidas da noite anterior subiram depressa! Vomitou e gemeu. Então ele viu o chão..... e tentou engolir uma nova regurjitada.

Vômito, sangue, urina, e muitos outros líquidos corporais foram salpicado contra o chão e as paredes. Entranhas e cérebros, entre muitos outros órgãos, foram arrastados e jogados por toda a sala, alguns aparente .. parcialmente comido?!

Novamente, ele não poderia segurar .. HAULLLL! Ele gemeu e estremeceu.

Passos.

Ele ouviu o som de pés batendo no andar acima, e rapidamente desligou as luzes e sentou-se no canto escondido.

Horas se passaram, e ainda, o homem continuou sentado, imóvel, no sangue, urina, vômito e órgãos que coberiam de canto. Suas pupilas se acostumaram à escuridão, e ele quase podia ver perfeitamente. Mas sua mente não estava preparada para um ambiente como aquele.

Quando tudo pareceu calmo, ele resolveu tentar abrir a maciça porta de metal. Estava trancada!! As janelas eram pequenas e gradeadas. Não havia saída daquele lugar.

Passaram-se horas... Ou seriam dias?

Ele começou a ouvir vozes. Disseram-lhe coisas .. coisas horríveis, horripilantes... Vinham de fora da sala? Vinham de sua cabeça? Ele se sentia vigiado, ele ouvia os pequenos risinhos de seu vigia. Estava ficando louco?

Uma noite .. ou qualquer hora que fosse .. ele estendeu a mão e agarrou o estômago de alguém, então devorou-o. Ele começou a engatinhar, silencioso, sereno, e comeu órgãos e tudo o mais que pudesse encontrar.

Finalmente, um dia, de repente ele começou a espumar pela boca. Um chiado de alta-frequência começou a encher a sua cabeça, bloqueando qualquer som, inclusive as vozes. Ele caiu, contorcendo-se, gritando, se contorcendo de dor, rolando na mistura visceral no chão. Sangue começou a se misturar à espuma branca que escorria de sua boca e descia de seu queixo e se integrou à macabra receita daquele lugar.

De repente, o sangue jorrou de sua boca e caiu sobre todo seu rosto. Seus olhos ficaram brancos, sua boca ainda aberta. A espuma finalmente parou, mas agora ela era rosada de todo o sangue que se juntou a ela.

A luz brilhou novamente. Uma mulher nua entrou. Corpo exuberante, cabelo loiro sedoso cobria o rosto e a cabeça. Ela pegou o homem pelos braços, em seguida, arrastou-o, arrastando-o para seu quarto. Hoje será uma noite de prazer.